Homossexualidade, homossexualismo e a origem das palavras
Um senhor de sessenta e poucos anos, declaradamente heterossexual, fala sobre gays em uma palestra. Se põe favorável aos gays. Defende seus direitos, prega o respeito, etc. Até que uma hora ele diz, numa frase, que “homossexualismo não é doença”. Pronto. Ganhou o ódio de boa parcela dos gays, mesmo estando a favor dos mesmos.
Isso que eu citei acima pode não ser filme da sessão da tarde, mas também é “baseado em fatos reais”, embora eu prefira não citar o nome do tal palestrante.
O fato é que o novo senso comum, pelo menos por parte da turma politicamente correta, defende a ideia de que o termo “homossexualismo” é errado, e o correto é dizer “homossexualidade”. O argumento mais defendido é o de que o sufixo “ismo” é designação para doença, tal como em “reumatismo”, “astigmatismo” e “alcoolismo”.
Vejamos, “altruísmo” e “iluminismo”, também terminam com o referido sufixo e não são doenças. Além do mais, também há doenças ou distúrbios terminados com o sifixo “ade”, tais como “obesidade” e “bipolaridade”.
Numa outra
explicação que ouvi certa vez de um especialista – em quê eu não lembro – na
televisão, o mesmo justificava o termo “homossexualismo”, estendendo a
explicação aos termos “homoerotismo” e “homoafetividade”. Para esse tal
especialista, o homossexualismo é toda a ideia e cultura homossexual, o
comportamento, o pensamento, a arte com características próprias, os termos, as
gírias, etc.
Homoafetividade é a qualidade que uma pessoa tem em sentir afeto por pessoas do mesmo sexo, sem necessariamente serem cônjuges e a independentemente da presença do desejo, ou seja, dois amigos ou um pai e um filho ou, ainda, uma mãe e uma filha que se gostem estarão expressando um comportamento homoafetivo. Por fim, homoerotismo é a qualidade de se envolver sexualmente com pessoas do mesmo sexo.
Sinceramente, a multiplicação de termos pode tanto explicar como confundir ainda mais, dependendo muito da pessoa a quem a mensagem é destinada. Ora, que vale mais: uma senhora idosa de vida sofrida, que teve pouca instrução, e que diz “minha filha é sapatão mais eu a amo mesmo assim” ou uma pessoa culta, que conhece todos esses termos e significados, mas que é profundamente preconceituosa? Como explicar homossexualismo, homossexualidade, homoafetividade e homoerotismo à parcela da população que não teve acesso a uma educação decente e que, não por maldade, ainda diz pérolas como “homem sexual”?
E mais: mesmo uma pessoa com relativa instrução, não deve ser obrigada a saber todos esses termos e diferenciá-los – ora, quanto mais palavras, pior fica a salada.
E é aí que eu volto à questão da pessoa de idade. É bem verdade que figuras públicas que ganharam a pecha de medalhões da homofobia falam o termo “homossexualismo” de propósito, até por realmente defenderem esse comportamento como uma doença.
Mas também é bem comum que pessoas de idade mais avançada usem o termo “homossexualismo” não por maldade, mas mais por costume. Mas e aí, que vale mais: mudar o costume verbal ou os valores? O Brasil está cheio de gente de idade avançada que, quando era jovem, tinha repulsa aos homossexuais, mas que, com os novos tempos, mudou de ideia e hoje encara esse comportamento numa boa.
Outros tantos persistem na antiga ideia de reprovação, mas aí é outra história. O fato é que muitos desses que hoje apoiam o homossexual, estão acostumados ao termo “homossexualismo”, e o citam mais por costume do que por perversidade.
Tenho quase certeza que há ativistas gays que vão discordar de mim. Defenderão que a velha guarda deveria ser obrigada a abandonar o termo antigo, que soa pejorativo, e passar a usar o novo de uma vez por todas.
Ainda acho o respeito mais importante do que os termos politicamente corretos.
A verdade é que também não gosto da palavra “homossexualismo” e costumo não usá-la. Concordo que ela seja pejorativa, e defendo o uso do termo “homossexualidade”, bem como “bissexualidade”, “heterossexualidade”, “transexualidade” e “assexualidade”. Essas palavras soam mais brandas, não há como negar.
Portanto, creio que seja mais digno defender o uso do termo “homossexualidade” partindo da premissa de que o termo “homossexualismo”, usado anteriormente, acabou ficando muito carregado e estigmatizado. No entanto, condenar alguém simplesmente por usar o termo “homossexualismo” incorrerá, por mais paradoxal que pareça, num preconceito, que é justamente aquilo pelo qual a comunidade homossexual luta (ou deveria lutar) contra.
É mais a questão da troca de uma palavra que carrega décadas, talvez séculos1 de perseguições, massacres, sofrimento e subjugo por outra que tem sonoridade mais agradável e que carrega consigo o frescor de uma cultura ocidental em que cada vez menos pessoas se importam com o pênis, a vagina e o ânus alheios.
É uma questão mais estética do que propriamente o reconhecimento ou não de um comportamento como doença. Até porque, de má intenção a Terra tá cheia. A mesma pessoa que se presta a condenar a “viadagem” e seus adeptos, se estiver convicta em seus julgamentos, poderá fazer o mesmo pela “homossexualidade”.
1 Quando digo “talvez séculos” considero que não sei desde quando o termo “homossexualismo” vem sendo usado, já que há palavras supostamente mais antigas como “sodomia” e “pederastia”, sendo que a primeira já ganhou vários outros significados e, volta e meia, até é usada em contos eróticos heterossexuais e a segunda ainda era usada oficialmente pelo exército até poucos anos atrás.
Isso que eu citei acima pode não ser filme da sessão da tarde, mas também é “baseado em fatos reais”, embora eu prefira não citar o nome do tal palestrante.
O fato é que o novo senso comum, pelo menos por parte da turma politicamente correta, defende a ideia de que o termo “homossexualismo” é errado, e o correto é dizer “homossexualidade”. O argumento mais defendido é o de que o sufixo “ismo” é designação para doença, tal como em “reumatismo”, “astigmatismo” e “alcoolismo”.
Vejamos, “altruísmo” e “iluminismo”, também terminam com o referido sufixo e não são doenças. Além do mais, também há doenças ou distúrbios terminados com o sifixo “ade”, tais como “obesidade” e “bipolaridade”.
Homoafetividade é a qualidade que uma pessoa tem em sentir afeto por pessoas do mesmo sexo, sem necessariamente serem cônjuges e a independentemente da presença do desejo, ou seja, dois amigos ou um pai e um filho ou, ainda, uma mãe e uma filha que se gostem estarão expressando um comportamento homoafetivo. Por fim, homoerotismo é a qualidade de se envolver sexualmente com pessoas do mesmo sexo.
Sinceramente, a multiplicação de termos pode tanto explicar como confundir ainda mais, dependendo muito da pessoa a quem a mensagem é destinada. Ora, que vale mais: uma senhora idosa de vida sofrida, que teve pouca instrução, e que diz “minha filha é sapatão mais eu a amo mesmo assim” ou uma pessoa culta, que conhece todos esses termos e significados, mas que é profundamente preconceituosa? Como explicar homossexualismo, homossexualidade, homoafetividade e homoerotismo à parcela da população que não teve acesso a uma educação decente e que, não por maldade, ainda diz pérolas como “homem sexual”?
E mais: mesmo uma pessoa com relativa instrução, não deve ser obrigada a saber todos esses termos e diferenciá-los – ora, quanto mais palavras, pior fica a salada.
E é aí que eu volto à questão da pessoa de idade. É bem verdade que figuras públicas que ganharam a pecha de medalhões da homofobia falam o termo “homossexualismo” de propósito, até por realmente defenderem esse comportamento como uma doença.
Mas também é bem comum que pessoas de idade mais avançada usem o termo “homossexualismo” não por maldade, mas mais por costume. Mas e aí, que vale mais: mudar o costume verbal ou os valores? O Brasil está cheio de gente de idade avançada que, quando era jovem, tinha repulsa aos homossexuais, mas que, com os novos tempos, mudou de ideia e hoje encara esse comportamento numa boa.
Outros tantos persistem na antiga ideia de reprovação, mas aí é outra história. O fato é que muitos desses que hoje apoiam o homossexual, estão acostumados ao termo “homossexualismo”, e o citam mais por costume do que por perversidade.
Tenho quase certeza que há ativistas gays que vão discordar de mim. Defenderão que a velha guarda deveria ser obrigada a abandonar o termo antigo, que soa pejorativo, e passar a usar o novo de uma vez por todas.
Ainda acho o respeito mais importante do que os termos politicamente corretos.
A verdade é que também não gosto da palavra “homossexualismo” e costumo não usá-la. Concordo que ela seja pejorativa, e defendo o uso do termo “homossexualidade”, bem como “bissexualidade”, “heterossexualidade”, “transexualidade” e “assexualidade”. Essas palavras soam mais brandas, não há como negar.
Portanto, creio que seja mais digno defender o uso do termo “homossexualidade” partindo da premissa de que o termo “homossexualismo”, usado anteriormente, acabou ficando muito carregado e estigmatizado. No entanto, condenar alguém simplesmente por usar o termo “homossexualismo” incorrerá, por mais paradoxal que pareça, num preconceito, que é justamente aquilo pelo qual a comunidade homossexual luta (ou deveria lutar) contra.
É mais a questão da troca de uma palavra que carrega décadas, talvez séculos1 de perseguições, massacres, sofrimento e subjugo por outra que tem sonoridade mais agradável e que carrega consigo o frescor de uma cultura ocidental em que cada vez menos pessoas se importam com o pênis, a vagina e o ânus alheios.
É uma questão mais estética do que propriamente o reconhecimento ou não de um comportamento como doença. Até porque, de má intenção a Terra tá cheia. A mesma pessoa que se presta a condenar a “viadagem” e seus adeptos, se estiver convicta em seus julgamentos, poderá fazer o mesmo pela “homossexualidade”.
1 Quando digo “talvez séculos” considero que não sei desde quando o termo “homossexualismo” vem sendo usado, já que há palavras supostamente mais antigas como “sodomia” e “pederastia”, sendo que a primeira já ganhou vários outros significados e, volta e meia, até é usada em contos eróticos heterossexuais e a segunda ainda era usada oficialmente pelo exército até poucos anos atrás.
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