Quando 'todo mundo' gosta, não gostar também é hype

Algo une Nutella, Minions, Game of Thrones, MasterChef, Outback, iPhone, WhatsApp e certamente mais um número grande, embora finito, de coisas. Bugigangas com marca registrada ou não. Elas são coisas que "todo mundo gosta".

Tempo. Não há nada que todo mundo goste. "Nem Jesus", lembraria algum participante de reality show. Mas há coisas que, por alguma razão, se consagraram. Ou seja, ganharam uma parcela considerável de admiradores dentro de um grupo. Este grupo pode ser uma tribo, uma faixa etária, um país ou uma civilização inteira.

Mas unanimidade, meu amigo, é algo que só existe no campo das fatalidades — como a de que todos precisamos respirar ou que todos iremos morrer. O resto é resto.

Não gostar de beterraba é normal. Nem quem gosta aguenta a bendita três vezes ao dia todos os dias. Não gostar do filme "Good Burger" também.

Mas a graça da ilusão da unanimidade está nessa coisa do "sentir-se pertencido a um grupo de algo que todos gostam". Num caso assim, não fazer parte da unanimidade e, portanto, de um "gado", dá especial satisfação ao não-pertencente. Faz da pessoa não mais um na multidão, mas alguém de uma personalidade menos dedutível, mais incomum. "Me desculpem vocês, mas não gosto de (INSIRA MODINHA AQUI)", de onde subentende-se "sério que tanta gente gosta de algo tão reles?" ou mais outras mil coisas. Ou talvez nenhuma.

Todo mundo, pfffffff... "Todo mundo", afinal, não é um termo generalista sobre igualdade, e sim de diferenças. Seremos melhores quando entendermos que "tem lugar pra todo mundo".

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