A especulação reencarnatória

Jesus Cristo morreu em 2013. Pelo menos é o que acreditam os seguidores de José Luis de Jesús Miranda, um porto-riquenho que se autodeclarava Jesus Cristo Homem. Durante anos, Miranda dividiu com o catarinense Álvaro Inri Cristo Thais o posto de reencarnação de Jesus. Na mais crédula das hipóteses, um dos dois está errado.

Mas, a despeito dos meios sectários, as "reencarnações atribuídas" são algo muito comum nas mais variadas vertentes espiritualistas, desde o Espiritismo Cristão até o universo e além.

Joana D'Arc seria reencarnação de Judas Iscatiotes, Chico Xavier a reencarnação de Francisco de Assis, o Conde de Saint Germain seria a reencarnação de Cristóvão Colombo e José, pai de Jesus. Numa linha mais hardcore, o próprio Jesus seria reencarnação de Buda, Krishna, Antúlio e Anfion. Esses dois últimos seriam líderes espirituais da antiga Atlântida.

Nas mãos dos pintores místicos o Conde de Saint Germain ficou bem mais gatão. E as especulações em torno de sua pessoa fizeram-no mais famoso que o próprio São Germano de Paris que deu nome ao lugar onde fora conde.

 As fontes desse "conhecimento" são variadas. São espíritos, saltos quânticos, registros akáshicos... ao gosto do freguês. Mas a "revelação" das encarnações anteriores das pessoas servem para quê além de curiosidade? De que vale a pessoa espiritualista "saber" que Saint-Germain foi José, se ela mal dá atenção pro próprio filho pequeno.

Nenhum de nós sabe realmente se as pessoas acima citadas foram reencarnações de outros famosos relacionados. O único jeito de saber é... bem, importa saber?

Sejamos muito sinceros, isso em nada pode colaborar com a ascensão espiritual de ninguém. Trata-se mais de uma espécie de coluna de fofoca. Um TV Fama espiritual em que se especula sobre quem era quem. Enquanto isso, a louça fica acumulando na pia.

Se reencarnação existe e é acompanhada de esquecimento, é para um propósito. No mínimo, o foco na experiência do agora. Nesse contexto, a especulação reencarnatória não passa de distração. Um tempo muito precioso sendo perdido com suposições em vez de ações.

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