Não chore no meu prato

Faz parte do imaginário popular. Alguém faz aquela comidinha caseira de sempre, que é especial justamente porque é feito por essa pessoa. Se for domingo então, nem se fala. Melhor impossível.

Talvez algum assado especial. Ou arroz com isso e aquilo. Qual o segredo?, alguém pergunta. A pessoa não usa nenhum tempero tão diferente assim. Ela responde: "é o amor". Sorri.

Restaurante sofisticado? De vez em quando dá, dizem. Não que tenha ficado tão mais barato. Mas as pessoas estão mais interessadas em alta cozinha.

Eu não. Efeito reality show, saca? Os culinários chegaram de uma hora para outra, na TV aberta e na fechada, com nomes que me confundem e uma receita que varia pouco: aspirantes a cozinheiros ouvindo as mais insanas patadas de chefs renomados. Menosprezo, humilhação, choro.

É um recorte de como é uma alta cozinha de verdade? Então eu não quero não, viu!? Pode levar o cardápio daqui. Se for pra comer comida chique temperada em lágrimas, prefiro — sem querer a pretensão do simplista ideológico — o rango de domingo em casa, onde o que se pinga é o azeite na salada, e é opcional.

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