Tediologia comercial
Troca. Tiroteios na região metropolitana de Não Interessa.
Troca. Novela nova, história batida.
Troca. Jornal do B, que é melhor que o jornal do A mesmo sendo igual.
Troca. Desenho animado pós-moderno com traços fofos e macabros. Já vi esse episódio.
Troca. Filme.
Troca. Seriado.
Troca. Série de filmes.
Troca. Mesa redonda com aleatório comentando, pela milionésima vez, o gol perdido do Fulaninho Pernambucano, dizendo que até ele faria aquele gol, quando na verdade, mal consegue segurar direito a lata de cerveja e a tigela de pipoca ao mesmo tempo.
Troca. Seriam os alienígenas os grandes construtores da Madeira-Mamoré?
Troca. Se Deus tocar seu coração, é porque você é um escolhido, e deve financiar essa obra de evangelização.
Troca. Quem será o novo namorado da fulana? Aliás, quem é a fulana?
Troca. Cansei.
Chega de televisão. Vida real, crianças na praça, cenário bucólico que termina no semáforo engarrafado da esquina. Olho e reclamo.
Fome. Salgado, não.
Sorvete, não.
Fruta, não.
Esse negócio saudável cheio de aveia parece bom, mas não.
Amendoim japonês, não.
Pipoca cheirando de longe, pipoqueiro ao lado do vendedor de churros, ao lado de um vendedor de salgadinho industrializado. Não. Não sei. Não.
Quantas opções e quanto vazio. Que tédio de tantas opções. E que tédio do vazio. Vou reclamar do vazio. E do excesso de opções. E se opções faltassem, também reclamaria da falta.
Que falta faz reclamar mais. Papai do céu, eu queria um milhão pra poder reclamar em Paris. E dentro duma limusine, pra também reclamar do chofer.
Mas agora, só tenho o tédio e o Twitter. Reclamar do tédio traz movimentação, tira o tédio, dá sentido filosófico ao reclamar de não ter nada o que fazer após tantas reclamações de excesso do que fazer.
Tarde da noite. Assistir um jornalzinho e ir dormir.
Que vai ter no jantar? Lasanha de novo? Oba! Odiei.
Troca. Novela nova, história batida.
Troca. Jornal do B, que é melhor que o jornal do A mesmo sendo igual.
Troca. Desenho animado pós-moderno com traços fofos e macabros. Já vi esse episódio.
Troca. Filme.
Troca. Seriado.
Troca. Série de filmes.
Troca. Mesa redonda com aleatório comentando, pela milionésima vez, o gol perdido do Fulaninho Pernambucano, dizendo que até ele faria aquele gol, quando na verdade, mal consegue segurar direito a lata de cerveja e a tigela de pipoca ao mesmo tempo.
Troca. Seriam os alienígenas os grandes construtores da Madeira-Mamoré?
Troca. Se Deus tocar seu coração, é porque você é um escolhido, e deve financiar essa obra de evangelização.
Troca. Quem será o novo namorado da fulana? Aliás, quem é a fulana?
Troca. Cansei.
Chega de televisão. Vida real, crianças na praça, cenário bucólico que termina no semáforo engarrafado da esquina. Olho e reclamo.
Fome. Salgado, não.
Sorvete, não.
Fruta, não.
Esse negócio saudável cheio de aveia parece bom, mas não.
Amendoim japonês, não.
Pipoca cheirando de longe, pipoqueiro ao lado do vendedor de churros, ao lado de um vendedor de salgadinho industrializado. Não. Não sei. Não.
Quantas opções e quanto vazio. Que tédio de tantas opções. E que tédio do vazio. Vou reclamar do vazio. E do excesso de opções. E se opções faltassem, também reclamaria da falta.
Que falta faz reclamar mais. Papai do céu, eu queria um milhão pra poder reclamar em Paris. E dentro duma limusine, pra também reclamar do chofer.
Mas agora, só tenho o tédio e o Twitter. Reclamar do tédio traz movimentação, tira o tédio, dá sentido filosófico ao reclamar de não ter nada o que fazer após tantas reclamações de excesso do que fazer.
Tarde da noite. Assistir um jornalzinho e ir dormir.
Que vai ter no jantar? Lasanha de novo? Oba! Odiei.
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