#ForaCunha

O ano era 2012. Aconteciam as eleições municipais. Num evento cultural, numa praça, apareceu um conhecido do meio teatral, e disse que estava passando uma lista para uma candidata. Perguntou se alguém entre os presentes não queria pôr o nome nela.

Se você que está lendo é inocente, eu explico: "passar uma lista" é eufemismo para comprar votos. Ora, é óbvio que quem compra votos não vai anunciar seu interesse de forma descritiva num megafone, como os lendários vendedores de pamonha. Comprar voto é ilegal. E atividades ilegais se sustentam amplamente de códigos, gírias pontuais e eufemismos.

A candidata a vereadora de quem ele passava a lista se elegeu. Seu nome eu, obviamente, não direi. Nem tanto por uma fantasiosa "ética", e sim, por preguiça de ter de receber a visita do famoso Processinho.

Eu não vendi meu voto. Aliás, eu jamais vendi meu voto em toda a minha vida. Mas não posso posar por aí como bastião da moralidade eleitoral. Embora eu não tenha colocado meu nome naquela "lista", confesso que pensei umas duas, três ou quinze vezes antes de dar meu "não". Afinal, muitas pessoas que eu conhecia estavam aceitando esta proposta, não só desse meu amigo, como de outros representantes de candidatos.

Vale um adendo de que ninguém que eu conheço, entre esses vendedores do próprio voto, é a pessoa mais miserável do mundo. Tampouco vendeu o voto por farinha ou dentadura. Resumidamente: eram pessoas em boa situação, negociando tranquilamente seu voto, fora de qualquer esteriótipo do pobrezinho sofrido no curral eleitoral.

Poucos dias atrás, esse meu amigo/conhecido, que passou com "uma lista" nas eleições de 2012, colocou um selo "Fora Cunha" em seu avatar do Facebook. Poderia ter sido um com um selo "Fora Dilma" também, porque não?

Não é sobre a moralidade ou imoralidade de cada lado que quero falar.

O importante para o cidadão comum é ficar face a face com seus hábitos e detectar, com sinceridade, se são honestos ou não. E se não forem, que o cidadão se emende. Estejam ele no Fla ou no Flu. Senão pelo prazer da honestidade, que seja pelo menos por saber que sempre haverá alguém que lembre do verão passado ou invoque Nossa Senhora dos Prints.

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